Executivo prepara reservas de bens essenciais face à crise no Médio Oriente

A Comissão Económica do Conselho de Ministros recomendou a antecipação de recursos do OGE 2026 para a constituição de reservas estratégicas de bens essenciais, como fertilizantes, pesticidas, sementes, vacinas animais, alimentos, medicamentos e insumos de saúde. A medida surge como resposta aos impactos do conflito no Médio Oriente sobre a economia angolana, analisados durante a 1.ª Sessão Extraordinária da Comissão Económica, orientada pelo Presidente da República, João Lourenço, no Palácio Presidencial, em Luanda.

Segundo o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, o conflito tende a prolongar-se mais do que o inicialmente previsto, pressionando os preços internacionais e criando desafios adicionais para Angola. Face a este cenário, o Executivo adoptou como referência um preço médio do petróleo na ordem dos 80 dólares por barril até ao final do ano, acima dos 61 dólares inscritos no OGE 2026. Essa revisão permitirá um incremento estimado de 3,2 biliões de kwanzas na receita pública, reduzindo a necessidade de endividamento e baixando o défice fiscal para cerca de 1%.

Entretanto, Massano alertou que parte desse ganho fiscal será absorvido pelos subsídios aos combustíveis refinados, dada a dependência do país da importação destes produtos. Além disso, destacou riscos como o aumento superior a 50% no custo dos fertilizantes, a escalada dos preços do transporte marítimo e o incremento dos seguros, que em alguns casos ultrapassam os 200%, com impacto direto no custo final dos bens para o consumidor.

Entre as medidas aprovadas, o Executivo prevê reforçar a segurança energética através da criação de reservas de combustíveis com cobertura mínima de 90 dias, utilizando a capacidade do Terminal Oceânico da Barra do Dande. Ao mesmo tempo, pretende antecipar a importação de fertilizantes e químicos para a campanha agrícola 2026-2027, garantir a continuidade dos programas de segurança alimentar e estimular a produção interna.

No sector do turismo, foi identificada uma oportunidade para captar parte dos investimentos e fluxos globais redirecionados do Médio Oriente, estimados em cerca de 50 mil milhões de dólares, apostando na estratégia MICE e na promoção do “Destino Angola”.

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