Bancos comerciais começam a cobrar 20 kwanzas por operações nos ATM após limite gratuito

Entrou em vigor, no passado dia 1 de Abril, o Instrutivo n.º 02/2025, de 13 de Agosto, do Banco Nacional de Angola (BNA), que autoriza os bancos comerciais a cobrarem 20 kwanzas por cada consulta de saldo em papel e levantamento em numerário nos Caixas Automáticos (ATM), quando ultrapassado o limite gratuito mensal. A medida isenta as primeiras quatro consultas de saldo, duas consultas de movimentos e quatro levantamentos por mês. Especialistas ligados às Finanças Públicas consideram que a decisão poderá incentivar a migração dos clientes para os canais digitais.

O consultor de negócios Valentim Bonifácio entende que se trata de uma mudança relevante no ecossistema de pagamentos em Angola, alinhada com tendências globais de redução de custos operacionais e promoção da digitalização dos serviços bancários. Segundo o especialista, o modelo híbrido adotado permite preservar o uso básico gratuito, ao mesmo tempo que desincentiva a utilização intensiva dos ATM, cuja manutenção envolve custos elevados.

Bonifácio defende ainda que a medida pode melhorar a gestão dos recursos, reduzir a pressão sobre a rede física e estimular práticas financeiras mais conscientes por parte dos clientes. Por outro lado, analistas alertam para possíveis impactos sociais, sobretudo entre cidadãos com menor literacia digital ou acesso limitado a serviços tecnológicos.

O gestor financeiro Jermano Miúdo considera, no entanto, que a introdução de tarifas moderadas contribui para a sustentabilidade do sistema, funcionando como um mecanismo de disciplina no uso dos serviços, ao mesmo tempo que pode promover maior inclusão financeira e transparência nas transações.

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