A economia angolana criou 686.090 novos postos de trabalho entre Janeiro e Março deste ano, segundo dados do Inquérito sobre o Emprego em Angola (IEA), divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Com este crescimento, o número total de pessoas empregadas atingiu 9.562.740, representando um aumento de 7,7% em relação ao último trimestre de 2025. A população em idade activa foi estimada em 22,6 milhões de pessoas, um acréscimo de 0,8% face ao período anterior.
De acordo com o INE, a força de trabalho — que inclui a população empregada e desempregada — subiu para 12.155.946 pessoas, evidenciando um crescimento de 9,3%. Já 10,4 milhões de indivíduos permanecem fora da força de trabalho por não exercerem actividades remuneradas nem estarem disponíveis para trabalhar. O grupo etário entre 35 e 44 anos continua a liderar a participação no mercado laboral, com uma taxa de 73,9%.
Os dados revelam ainda diferenças significativas entre áreas urbanas e rurais. A taxa de emprego nas cidades atingiu 50,9%, contrastando com 23,7% registados nas zonas rurais. O sector privado continua a ser o principal empregador, absorvendo 68,8% dos trabalhadores, seguido pelo sector público, com 9,6%. O Comércio por Grosso e a Retalho mantém-se como a actividade que mais empregos gera, representando 33,3% da população empregada.
O relatório destaca também o peso do emprego informal, que abrange 79,3% dos trabalhadores, equivalente a 7.579.656 pessoas. A informalidade é mais elevada entre as mulheres, com uma taxa de 90,1%, e entre os jovens dos 15 aos 24 anos, cujo índice atinge 93%. Nas zonas rurais, o fenómeno é ainda mais expressivo, alcançando 94,1% da população ocupada.
No que diz respeito ao desemprego, o país registou 2.593.206 pessoas sem trabalho no primeiro trimestre, o que corresponde a uma taxa de 21,3%. As mulheres continuam a ser as mais afectadas, com um índice de 23,4%, enquanto entre os jovens dos 15 aos 24 anos a taxa subiu para 40,7%. O número de desempregados aumentou 15,5% face ao trimestre anterior, reforçando a necessidade de políticas públicas capazes de responder aos desafios actuais do mercado de trabalho.