Conheça os motivos que levaram à exoneração do governador do Cuanza Sul

A recente exoneração do governador provincial do Cuanza Sul, Narciso Damásio dos Santos Benedito, anunciada esta semana, está a ser interpretada em meios locais como uma resposta do Governo central aos acontecimentos de 29 de março, no município do Sumbe. Nessa data, um evento político-cultural promovido pela UNITA gerou polémica devido à presença de militantes trajados com indumentária de aparência militar, facto que motivou reacções imediatas das autoridades.

A informação foi inicialmente divulgada pelo portal Club-K. A primeira consequência administrativa ocorreu no SINSE, que afastou a sua delegada provincial, em funções há cerca de seis meses. Fontes locais indicavam ainda a possibilidade de exoneração do delegado provincial do Ministério do Interior e do comandante provincial da Polícia Nacional de Angola.

Contudo, a medida de maior peso político acabou por surgir a partir de Luanda, com a retirada do governador e a nomeação do general Eugénio César Laborinho para o cargo. Antes da tomada destas decisões, o Executivo orientou as Forças Armadas Angolanas e a Polícia Nacional de Angola a pronunciarem-se publicamente. Em comunicados separados, ambas as instituições condenaram o acto da UNITA, sublinhando que o uso de uniformes de natureza militar em actividades partidárias é proibido pela legislação angolana.

As FAA afirmaram que a utilização de trajes semelhantes aos seus viola o princípio da neutralidade política das forças de defesa e representa desrespeito pelas instituições militares. Em resposta, a UNITA alegou tratar-se de uma encenação histórica alusiva às extintas FALA, integrada nas comemorações dos 60 anos do partido, defendendo que vestuário de estilo militar é frequentemente utilizado em actividades culturais e artísticas sem provocar reacções das autoridades.

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