No arranque da sua visita oficial aos Camarões, o Papa Leão XIV deixou um apelo directo aos dirigentes do país: que examinem as suas consciências, promovam a transparência na gestão dos recursos públicos e rompam definitivamente com a corrupção. O Sumo Pontífice sublinhou que o Estado deve estar ao serviço dos cidadãos, sobretudo dos mais vulneráveis, defendendo que a integridade é um pilar essencial para o exercício da liderança.
O discurso, inicialmente previsto para outro formato, acabou por ser proferido no palácio presidencial, na presença do chefe de Estado, Paul Biya, que, aos 93 anos, permanece no poder há mais de quatro décadas. A sua recente reeleição foi marcada por contestação popular e manifestações que, segundo várias organizações, foram reprimidas com violência.
Durante a intervenção, o Papa reconheceu que a segurança é uma prioridade para qualquer Estado, mas advertiu que esta deve ser assegurada com total respeito pelos direitos humanos. Num contexto em que diversas ONG denunciam abusos e limitações das liberdades fundamentais, reforçou a necessidade de se restaurar a confiança entre governantes e governados.
Para o líder da Igreja Católica, esse caminho passa inevitavelmente pela transparência, pelo respeito ao Estado de direito e pela rejeição de práticas corruptas. “Para que a paz e a justiça criem raízes, é necessário romper as correntes da corrupção”, afirmou, alertando que este fenómeno compromete a autoridade moral dos líderes e afasta-os do verdadeiro propósito de servir o bem comum.