Zimbabué suspende acordo de 367 milhões com EUA por exigir acesso a dados privados

O governo do Zimbabué decidiu suspender um acordo de cooperação sanitária avaliado em 367 milhões de dólares com os Estados Unidos, alegando que as condições impostas comprometiam a soberania nacional. A decisão foi anunciada pelo secretário permanente de Relações Exteriores, Albert Chimbindi, que afirmou que o memorando de entendimento previa exigências consideradas inaceitáveis pelo Executivo zimbabuense.

Segundo Chimbindi, o Presidente Emmerson Mnangagwa ordenou a retirada do país das negociações por entender que as cláusulas do acordo permitiriam a Washington aceder a dados privados de saúde dos cidadãos. O governo classificou essa condição como uma potencial ingerência dos serviços de inteligência norte-americanos, levantando preocupações sobre privacidade e segurança.

Além do acesso a bases de dados sensíveis, Harare também contestou disposições que relacionavam o acordo aos recursos minerais estratégicos do país. Para as autoridades zimbabueanas, tais exigências colocavam em causa a independência económica e o controlo sobre sectores considerados vitais para o desenvolvimento nacional.

Em reacção, a embaixadora dos EUA no país, Pamela Tremont, lamentou a suspensão, recordando que os fundos seriam destinados ao combate ao HIV, tuberculose, malária e ao reforço da saúde materno-infantil. A diplomata sublinhou que o apoio tinha como objectivo fortalecer o sistema de saúde do Zimbabué e melhorar o acesso a cuidados essenciais.

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