O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrentou forte contestação após partilhar na rede social Truth Social um vídeo no qual Barack e Michelle Obama são representados como macacos. A publicação, que também incluía alegações de fraude nas eleições presidenciais de 2020, rapidamente desencadeou uma onda de reacções de democratas e republicanos. Até às primeiras horas desta sexta-feira, o vídeo acumulava milhares de interacções, apesar de já ter sido removido.
A polémica intensificou-se com a condenação de várias figuras públicas. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, classificou o episódio como “comportamento repugnante”, enquanto Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado de Obama, afirmou que Trump e os seus apoiantes “ficarão marcados como uma mancha na história”.
Entre os republicanos, o senador Tim Scott descreveu a publicação como “a coisa mais racista” que já viu sair da Casa Branca, defendendo que o Presidente deveria removê-la imediatamente. Num primeiro momento, a Casa Branca rejeitou que se tratasse de um ataque racista. Karoline Leavitt, porta-voz da administração Trump, alegou que o vídeo era apenas um “meme da Internet” relacionado com personagens do filme O Rei Leão, acusando a oposição de promover “indignação falsa”.
Contudo, ao final da tarde, a publicação foi apagada e a Casa Branca responsabilizou um funcionário interno pela sua divulgação, afastando qualquer responsabilidade direta de Donald Trump. O episódio reacende críticas antigas dirigidas ao Presidente norte-americano pelo tratamento dado ao seu antecessor. Em dezembro, Trump já havia instalado placas sob os retratos de ex-presidentes com mensagens críticas, incluindo uma que classificava Obama como “uma das figuras mais fraturantes da história”.
O caso actual reforça a tensão política em torno do líder republicano e aprofunda o debate nacional sobre limites do discurso político e manifestações de teor racista.