Peso da dívida indexada ao dólar cai para 26% e reduz vulnerabilidade cambial

A dívida pública interna indexada ao dólar registou uma redução significativa nos últimos cinco anos, passando de 47% em 2020 para 26% em 2025, o que representa uma queda de 21 pontos percentuais. A informação consta da apresentação da Estratégia de Endividamento 2026-2028 feita nesta terça-feira pelo director-geral da Unidade de Gestão da Dívida (UGD), Dorivaldo Teixeira, conforme reportado pela revista Economia & Mercado.

De acordo com o responsável, esta mudança estrutural resulta de uma aposta clara nas Obrigações do Tesouro emitidas em moeda nacional e sem indexação cambial (OT-ME), que passaram a representar 58% da carteira, acima dos 44% registados em 2020. Em sentido contrário, os títulos indexados ao câmbio (OT-TXC) têm perdido peso, com o stock a cair para 126,4 mil milhões de kwanzas em Setembro de 2025 — menos 39% face ao final de 2024.

Segundo a mesma fonte, a UGD considera esta alteração “importante”, por permitir que Angola tenha resistido à forte desvalorização cambial de 2023 sem a habitual explosão do endividamento. A nova composição da carteira, observou Teixeira, funciona como uma “cortina de protecção” contra choques externos, ao mesmo tempo que a actual estabilidade cambial e as taxas de juro têm atraído mais investidores estrangeiros não residentes para o mercado doméstico da dívida pública.

Ainda assim, o director-geral alertou que 2026 será um ano exigente, com amortizações estimadas em cerca de 13 mil milhões de dólares. O objectivo do Executivo, segundo destacou, é impedir que o serviço da dívida volte a ultrapassar os 9 mil milhões de kwanzas.

No discurso de abertura do evento, o secretário de Estado das Finanças e do Tesouro, Ottoniel dos Santos, recuperou a evolução recente do endividamento público. Recordou que, em 2020, o rácio da dívida pública sobre o PIB rondava 69%, com cerca de 16,3 mil milhões de dólares garantidos por petróleo e uma exposição ao risco cambial que atingia 47% da carteira interna. Hoje, o cenário é diferente: o rácio está estimado em 50,5%, o endividamento colateralizado reduziu-se para aproximadamente 7,7 mil milhões de dólares e a exposição ao câmbio caiu para cerca de 26,7%.

Ottoniel dos Santos sublinhou, contudo, que 2026 apresenta um “duplo desafio”: apesar dos avanços, o serviço da dívida deverá atingir cerca de 15 biliões de kwanzas.

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