A decisão recente dos Estados Unidos de reforçarem as restrições de entrada para cidadãos de vários países africanos está a criar um clima de preocupação entre os adeptos que se preparavam para viajar ao Mundial de 2026, que será disputado nos EUA, Canadá e México. A medida, anunciada no final de 2025 e já em vigor desde Janeiro deste ano, afecta directamente países como Senegal e Costa do Marfim, agora incluídos numa lista de controlo migratório mais apertada.
Com as novas exigências, os pedidos de visto tornaram-se mais demorados, com verificações adicionais e maior rigor na avaliação financeira dos candidatos. Esta situação está a impedir que muitos adeptos garantam, em tempo útil, a sua deslocação ao maior evento futebolístico do mundo. Agências de viagem em Senegal e outros países afectados relatam cancelamentos de reservas e desistências de última hora, fruto da incerteza criada pelas restrições.
Segundo pesquisas feitas pelo Panorama 24, vários adeptos afirmam ter investido poupanças de anos para cumprir o sonho de assistir ao Mundial, mas enfrentam agora aquilo que chamam de “barreira burocrática” difícil de ultrapassar. Operadores turísticos confirmam que dezenas de viajantes, inicialmente inscritos para pacotes especiais, já abandonaram o projecto devido às dificuldades na obtenção do visto norte-americano.
Apesar das críticas, Washington sustenta que a medida faz parte de um pacote mais amplo de segurança e controlo fronteiriço, não estando directamente ligado ao Mundial. No entanto, organizações desportivas africanas e grupos de defesa dos direitos civis defendem que deveria ser criada uma excepção temporária para adeptos portadores de bilhetes oficiais, argumentando que o desporto, em especial o futebol, deve unir povos em vez de levantar barreiras.
Com o torneio a aproximar-se, milhares de africanos continuam sem saber se poderão viver, ao vivo, a festa do Mundial de 2026.