As autoridades do Rwanda contestaram a actuação da jornalista angolana Hariana Verás, acusando-a de parcialidade e de alinhamento com a narrativa oficial da República Democrática do Congo (RDC), segundo divulgou o Clube K. A polémica ganhou destaque após o jornal rwandês The Times citar o ministro dos Negócios Estrangeiros do Rwanda, Olivier Nduhungirehe, que questionou a independência profissional da jornalista, recentemente vista a actuar como repórter da televisão estatal congolesa (RTNC), inclusive em intervenções junto à Casa Branca.
De acordo com o Clube K, as autoridades rwandesas acusam Verás de promover posições hostis a Kigali, alinhadas com Kinshasa e Bujumbura, apesar de nunca ter visitado o Rwanda. A controvérsia intensificou-se depois de a jornalista surgir com um microfone da RTNC num vídeo gravado em Washington, colocando questões sobre o Acordo de Washington — tratado que o Rwanda afirma ter sido “mal representado”, por tratar apenas das relações entre Rwanda e RDC, e não de conflitos como o do Sudão.
O ministro rwandês acusou ainda Hariana Verás de falta de transparência quanto à sua relação com as autoridades congolesas, destacando as viagens frequentes da jornalista a Kinshasa, encontros com o Presidente Félix Tshisekedi e o uso de meios da RTNC sem esclarecer se possui vínculos contratuais com o Estado congolês. Críticos regionais, como o jornalista ugandês Andrew Mwenda, também afirmam que Verás actua como “agente político”, contribuindo para a desinformação na cobertura do conflito no leste da RDC.
Especialistas citados pelo Clube K alertam que a actuação da jornalista pode reforçar a polarização e o uso político dos media em contextos de conflito, omitindo temas-chave como a falta de acção de Kinshasa contra as FDLR e o apoio às milícias Wazalendo. Até agora, Hariana Verás não reagiu às acusações, mantendo o caso no centro de um intenso debate sobre ética jornalística, alinhamento político e o papel dos media nos Grandes Lagos.