O Conselho Nacional de Transição (CNT) da Guiné-Bissau endureceu novamente o discurso contra líderes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), acusando o Presidente angolano João Lourenço de “hipocrisia” e de promover “eleições fraudulentas”. A reacção surge após as críticas feitas pelo chefe de Estado angolano ao golpe militar que levou o CNT ao poder em novembro de 2025, segundo informou a DW África.
Durante o seu último dia à frente da presidência rotativa da União Africana, João Lourenço condenou o golpe e defendeu que a normalização de regimes militares é “inadmissível” no continente africano. Em resposta, o porta-voz do CNT, Fernando Vaz, afirmou que vários líderes africanos adoptam uma postura paternalista, apesar de enfrentarem “graves males nos seus próprios países”.
Segundo Fernando Vaz, alguns chefes de Estado da CPLP tentam “dar lições de moral e democracia à Guiné-Bissau”, ignorando fragilidades internas. O CNT destacou ainda que apenas Moçambique e Brasil foram poupados às críticas, num cenário de tensões crescentes entre Bissau e os restantes países da comunidade.
A resposta mais dura, contudo, foi dirigida a João Lourenço. O CNT acusou o Presidente angolano de fechar os olhos a “eleições fraudulentas” e a processos eleitorais “viciados”. “O Presidente angolano esquece, por conveniência, que eleições fraudulentas e processos viciados constituem, por si só, golpes constitucionais”, afirmou Fernando Vaz, sublinhando que tais práticas mantêm apenas uma “fachada democrática” e silenciam a oposição.