Escritor angolano lança segundo livro no Brasil sobre o papel do Estado no desenvolvimento agroindustrial

O escritor e especialista angolano João Kaveto lançou no Brasil o seu segundo livro, “O Pólo Agro-industrial de Capanda: Análise Estratégica do Papel do Estado”, obra que tem vindo a ganhar repercussão no meio académico e mediático brasileiro. O lançamento mereceu destaque do conceituado jornal O Globo, que sublinhou a relevância do estudo para a compreensão das políticas públicas e do desenvolvimento agroindustrial em Angola.

No livro, publicado pela Editora Insígnia, Kaveto analisa de forma aprofundada o papel do Estado angolano na promoção do desenvolvimento económico, especialmente no contexto do pós-guerra. A obra revisita a criação do Pólo Agro-industrial de Capanda (PAC), concebido como um projecto estruturante para diversificação produtiva, geração de empregos e fortalecimento da segurança alimentar. Segundo o autor, o PAC baseou-se em princípios de planeamento estratégico, governação corporativa e sustentabilidade, tornando-se uma referência para projectos agroindustriais.

O escritor também aborda o papel da SODEPAC na implementação do PAC, destacando avanços institucionais e infraestruturais, bem como os impactos da sua dissolução e transferência de competências para a GESTERRA. A mudança, argumenta, criou perda de continuidade e fragilização dos objectivos de longo prazo, revelando tensões entre decisões políticas e a eficiência da gestão pública. O livro discute ainda os desafios da governança e a necessidade de infraestruturas concluídas para o sucesso do projecto.

João Kaveto defende que o desenvolvimento agroindustrial sustentável exige um Estado facilitador, capaz de assegurar estabilidade institucional, visão estratégica e cooperação com o sector privado. Para países em desenvolvimento, afirma, o caso de Capanda representa uma lição essencial sobre a importância da integração entre planeamento, execução e especialização institucional.

O livro, que depois do Brasil será lançado em Luanda, Lubango e Huambo, com datas a serem anunciadas oportunamente, é recomendado para estudantes, investigadores, gestores públicos, investidores e profissionais ligados às áreas da economia, gestão, políticas públicas e agroindústria.

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