Crédito à habitação em Angola cresce e atinge 371,2 mil milhões de kwanzas entre 2022 e 2024

O crédito à habitação em Angola registou um crescimento significativo entre 2022 e 2024, atingindo 371,2 mil milhões de kwanzas, impulsionado pela redução da burocracia e pela entrada em vigor de mecanismos de crédito bonificado. Segundo o Jornal Economia & Finanças, o Aviso n.º 9/24 do Banco Nacional de Angola estabeleceu um regime especial de financiamento destinado a facilitar a compra, construção e reabilitação de imóveis, com condições mais favoráveis para particulares e empresas.

O instrumento regulatório tornou obrigatória a concessão de crédito bonificado pelos bancos sistémicos, tendo sido seleccionadas oito instituições devido à sua robustez no mercado angolano, nomeadamente o Banco de Poupança e Crédito, Banco de Fomento Angola, Banco Angolano de Investimentos, Banco Millennium Atlântico, Banco BIC, Caixa Angola, Banco BNI e Standard Bank Angola.

O limite de financiamento, que era de 100 milhões de kwanzas em 2022, foi aumentado para 150 milhões, devendo vigorar a partir de 2025. Especialistas citados pelo Jornal reconhecem que as reformas financeiras recentes devolveram dinamismo ao mercado imobiliário, mas alertam que os baixos salários continuam a limitar o acesso das famílias ao crédito. O promotor imobiliário Cleber Corrêa defende a criação de um plano nacional semelhante ao programa brasileiro “Minha Casa, Minha Vida”, que inclua bonificação de juros e apoio directo ao comprador, além da necessidade urgente de criação e regularização de terrenos para permitir o financiamento habitacional.

O economista Daniel Tendo destaca que o novo aviso visa aproximar o sistema financeiro das necessidades reais das famílias, mas lembra que o risco de incumprimento, a instabilidade macroeconómica e o crédito malparado ainda travam a concessão de financiamentos de longo prazo. Para ele, o crédito habitacional é essencial para transformar o investimento público em acessibilidade real à casa própria, um dos maiores símbolos de dignidade e mobilidade social desde o pós-guerra.

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