O Governo angolano anunciou um plano para captar cerca de US$ 1,7 bilhão nos mercados internacionais de capitais ao longo de 2026, como parte de uma estratégia para reforçar as finanças públicas e reduzir a pressão do serviço da dívida. O anúncio foi feito através do Plano Anual de Endividamento divulgado pelo Ministério das Finanças esta terça-feira, 27 de janeiro.
Segundo a nota a que o Panorama 24 teve acesso, a estratégia inclui a emissão de títulos de dívida junto de investidores internacionais, aproveitando janelas de oportunidade no mercado e diversificando os prazos e condições das operações. Uma parte significativa do plano prevê também mecanismos inovadores de financiamento, como a troca de dívida por investimentos na saúde (debt-for-health swap), que permite reduzir custos e direccionar recursos para sectores sociais prioritários.
Além da captação no mercado internacional, Angola conta com cerca de US$ 500 milhões de apoio do Banco Mundial através de operações de política de desenvolvimento, que destinam recursos directamente ao orçamento do Estado para o ano de 2026. A combinação destas fontes visa equilibrar a necessidade de financiamento do governo com a redução dos custos de endividamento no médio e longo prazo.
O plano surge num contexto económico desafiador, em que o serviço da dívida consome uma fatia significativa das despesas públicas. As autoridades económicas defendem que a estratégia permitirá assegurar liquidez e financiar sectores essenciais, ao mesmo tempo em que apoia a recuperação económica do país, que deverá crescer moderadamente, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), em torno de 2 % em 2026, dependendo da diversificação da economia para além do sector petrolífero.