O cantor angolano Anderson Mário partilhou recentemente uma análise crítica sobre os principais obstáculos da indústria musical em Angola, durante entrevista concedida ao J Cast. Segundo o artista, a preocupação exagerada com a imagem tem se tornado um verdadeiro desafio para músicos e profissionais do sector.
Anderson Mário afirmou que a imagem é muitas vezes valorizada acima da qualidade artística e de uma gestão financeira equilibrada, transformando-se num “demónio” que influencia comportamentos e decisões pouco sustentáveis. “A indústria é muito boa, mas o seu demónio é a imagem. O demónio da nossa indústria é a imagem. O demónio do artista em si é só a imagem. É a realidade”, declarou.
O cantor enfatizou que o essencial não está apenas nos valores que se arrecadam, mas na forma como são administrados. Ele alertou que muitos artistas chegam a gastar quantias exorbitantes para manter aparências, citando casos de profissionais que chegam a investir 10 milhões de kwanzas numa única semana apenas para sustentar determinado padrão de vida.
Para Anderson Mário, a indústria angolana tem grande potencial, mas a obsessão com a aparência compromete o desenvolvimento sustentável dos artistas e a valorização do talento, destacando a necessidade de equilibrar imagem, arte e gestão financeira.