Jack Huang, conhecido em Angola por liderar o complexo comercial “Cidade da China”, é um dos principais arguidos num vasto processo-crime em curso na Namíbia, que envolve acusações de fraude fiscal, subfacturação e branqueamento de capitais avaliados em mais de 3 mil milhões de dólares namibianos.
O empresário chinês Jack Huang enfrenta 1.583 acusações criminais no Tribunal Superior de Windhoek, incluindo fraude, falsificação de documentos e branqueamento de capitais. O julgamento prolonga-se até Abril de 2026, segundo noticiou a imprensa namibiana.
As autoridades sustentam que o grupo de arguidos subdeclarava valores na importação de mercadorias para reduzir impostos, ao mesmo tempo que apresentava aos bancos montantes artificiais e inflacionados para justificar a transferência de grandes somas de divisas para o exterior, principalmente para a China.
No caso específico de Huang, o Ministério Público namibiano afirma que, entre 2013 e 2014, foram enviados para a China 224,7 milhões de dólares namibianos, enquanto às alfândegas foram declarados apenas 1,55 milhões de dólares norte-americanos em mercadorias importadas.
Apesar da gravidade das acusações, Jack Huang declarou-se inocente. Em Angola, não existe qualquer processo-crime aberto contra o empresário.
O caso Jack Huang evidencia a vulnerabilidade dos sistemas de controlo fiscal e financeiro perante esquemas transnacionais de criminalidade económica. Embora a presunção de inocência seja um princípio fundamental, as acusações — se confirmadas — revelam um mecanismo de desvio de fundos de grande escala, exigindo maior cooperação entre Estados e reforço das instituições de fiscalização.