As eleições gerais no Uganda, realizadas esta quinta-feira (15 de janeiro de 2026), estão a decorrer sob um ambiente de elevada tensão política, marcado por um apagão total da internet, atrasos no início da votação, forte presença militar e alegações de irregularidades que levantam preocupações sobre a transparência do processo.
O Governo ordenou a suspensão do acesso público à internet, a venda de novos cartões SIM e serviços de roaming, alegando a necessidade de combater a “desinformação” e prevenir potenciais fraudes eleitorais. Esta medida, tomada dias antes da votação, afectou não só as comunicações civis e redes sociais como também serviços essenciais, incluindo operações bancárias, gerando críticas de grupos de direitos humanos que consideram o bloqueio um ataque aos direitos de expressão e informação.
Desde as primeiras horas da manhã, muitos locais de votação abriram com atrasos significativos devido a falhas nos sistemas biométricos de verificação de eleitores e na entrega de material eleitoral, forçando autoridades a recorrer a registos em papel para evitar que eleitores fossem impedidos de votar.
Em várias áreas urbanas, especialmente na capital Kampala, urnas permaneceram fechadas horas após o horário previsto, alimentando frustração entre os eleitores.
A eleição foi igualmente marcada por uma forte presença de forças de segurança e relatos de uma repressão rigorosa contra apoiantes da oposição. O principal candidato da oposição, Robert Kyagulanyi, conhecido como Bobi Wine, criticou o bloqueio da internet e afirmou que as medidas dificultam o processo eleitoral, acusando o Governo de usar a estratégia para facilitar uma possível manipulação dos resultados.
O presidente Yoweri Museveni, no poder desde 1986 e candidato ao sétimo mandato, afirmou apoiar a decisão de permitir votação mesmo com as falhas tecnológicas, mas rejeitou as acusações de fraude. O clima político antes e durante a votação tem sido dominado pela polarização entre os defensores do regime, favoráveis à estabilidade e continuidade, e os críticos que exigem maior transparência e respeito pela vontade popular.
Com mais de 21,6 milhões de eleitores registados e expectativas de resultados a serem anunciados dentro de 48 horas após o encerramento das urnas, observadores e cidadãos aguardam ansiosamente pelo desfecho oficial, enquanto continuam a circular dúvidas sobre a credibilidade e integridade do processo eleitoral.